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Como publicar um livro: editora tradicional, autopublicação ou modelo híbrido

Publicar um livro é um processo que só começa quando o texto está acabado e revisto. A distinção importa, porque a maior parte dos manuscritos recusados não perde pela ideia. Perde porque o autor o enviou uma ou duas versões cedo demais.

Este guia percorre o caminho inteiro: a escolha do modelo de publicação, a preparação do manuscrito, o envio, o contrato e o que acontece depois do lançamento. Se ainda estás a acabar o primeiro rascunho, começa pelo guia sobre como escrever um romance e volta aqui com o texto terminado.

Os três caminhos para publicar

Hoje, a edição assenta em três modelos. Diferem em quem suporta os custos, quem toma as decisões e quanto ganha o autor por exemplar.

Editora tradicional. A editora suporta todos os custos: edição, revisão de provas, paginação, capa, impressão, distribuição. O autor recebe um adiantamento e direitos de autor, normalmente uma percentagem que vai de um só dígito a pouco mais de dez por cento. Em troca, abdica de algum controlo: sobre a capa, às vezes sobre o título, muitas vezes sobre o calendário. No mercado de língua inglesa, a porta habitual para as grandes editoras é um agente literário; muitas das grandes nem sequer leem propostas que não cheguem por essa via, ao passo que as editoras mais pequenas aceitam muitas vezes envios diretos.

Autopublicação. O autor é o editor: encomenda a edição, a revisão de provas, a paginação e a capa à sua custa e publica depois através de plataformas de impressão a pedido e de livros eletrónicos. Ganha muito mais por exemplar, mas financia o processo todo. Os números reais estão no artigo sobre quanto custa publicar um livro.

Modelo híbrido. A editora divide os custos com o autor, ou passa-lhos por inteiro, e oferece em troca a sua marca e parte dos serviços. Aqui é preciso ler os contratos com especial cuidado: um modelo híbrido honesto discrimina os custos e não promete uma distribuição que não tem. Se a editora ganha sobretudo com os autores e não com os leitores, não é um parceiro editorial. É uma gráfica com melhor marketing.

Passo 1: garante que o texto está mesmo acabado

Editores e agentes recusam a maior parte das propostas ao fim de poucas páginas. Não porque a ideia seja fraca, mas porque o texto traz as marcas de um primeiro rascunho: ritmo irregular, personagens incoerentes, linhas narrativas abertas e abandonadas.

Antes de enviares o que quer que seja, faz uma autorrevisão completa. Descrevemos a ordem das operações no guia sobre como rever um romance: primeiro a estrutura e o enredo, depois as cenas e as personagens, as frases no fim. Depois da autorrevisão, entrega o texto a leitores beta e incorpora o que aprenderes com eles.

No artigo o meu livro está pronto para publicar há um teste próprio para saber se o livro está pronto. Se a tua resposta à maioria daquelas perguntas for «acho que sim», o texto não está pronto.

Passo 2: prepara o dossiê de apresentação

Agentes e editoras pedem normalmente três coisas:

  • Carta de apresentação. Algumas frases: quem és, o que estás a enviar, o género e o número de palavras. Sem a história da tua vida e sem garantias de que vai ser o próximo êxito de vendas.
  • Sinopse. Uma a duas páginas, escrita em prosa, com o final revelado. A sinopse é um documento de trabalho para o editor, não o texto da contracapa, por isso não estás a criar suspense. Estás a provar que o enredo se resolve.
  • Capítulos de amostra. Na maioria dos casos, os três primeiros capítulos ou as primeiras cinquenta páginas. Sempre o início, nunca «a melhor parte do meio». O editor avalia exatamente o que um leitor avaliaria numa livraria.

Confirma as regras de cada destinatário em separado. Uns querem DOC, outros PDF, outros usam formulários. Uma proposta que ignora as regras muitas vezes nem chega a ser lida.

Passo 3: escolhe os destinatários e envia

Não envies para todo o lado. Escolhe agentes e editoras que representem ou publiquem de facto o teu género: vê o que lançaram nos últimos dois anos. Mandar um policial a uma editora que só publica não ficção narrativa é uma perda de tempo para as duas partes.

Enviar a vários ao mesmo tempo é a norma. Por cortesia, avisa os restantes quando um deles fizer uma proposta.

Prepara-te para esperar. Três a seis meses é um prazo de resposta habitual, e o silêncio é muitas vezes a única forma que a recusa assume. O melhor que podes fazer enquanto esperas é escrever o livro seguinte.

Passo 4: o contrato de edição

Quando chega uma proposta, a adrenalina manda assinar o que for. Não assines. Olha para quatro pontos do contrato:

  • Direitos cedidos. O que exatamente estás a licenciar: impressão, livro eletrónico, audiolivro, tradução, adaptações. Cede apenas o que a editora vai de facto explorar.
  • Prazo e exclusividade. Uma licença por um prazo determinado é mais segura para o autor do que uma cessão de direitos para sempre.
  • Direitos de autor e adiantamento. Verifica sobre que valor é calculada a percentagem: o preço de capa, as receitas líquidas ou a faturação da editora. Só essa definição pode multiplicar ou dividir várias vezes a percentagem real.
  • Obrigações da editora. Tiragem mínima, prazo de publicação e o que acontece aos direitos quando o livro deixa de estar disponível.

Se alguma coisa não for clara, uma hora de um advogado especializado em edição é o seguro mais barato de todo o processo.

Passo 5: produção e lançamento

Depois do contrato, o texto passa pela edição estrutural, pela revisão de texto, pela paginação e pelo design da capa. Numa editora tradicional, entre a assinatura e a estante passam normalmente nove a dezoito meses. Na autopublicação o ritmo é teu, mas as etapas são as mesmas e nenhuma se pode saltar sem que o leitor dê por isso.

Trabalhar com um editor é um diálogo, não um ditado. Podes defender as tuas escolhas, mas trata cada nota, antes de mais, como sinal de que alguma coisa na página não funcionou.

Os erros mais comuns ao publicar um livro

  • Enviar o primeiro rascunho. O erro mais comum e o mais caro. Um primeiro rascunho é matéria-prima, não um produto.
  • Envios em massa sem critério. Cem mensagens iguais dão pior resultado do que dez adaptadas a cada destinatário.
  • Uma sinopse que esconde o final. O editor precisa de saber que és capaz de fechar o enredo.
  • Assinar o primeiro contrato sem o ler. Um mau contrato pode deixar um livro bloqueado durante anos.
  • Pagar pela «publicação» sem saber o quê. Em qualquer acordo híbrido, exige os custos discriminados, rubrica a rubrica.

Perguntas frequentes

Quanto tempo demora publicar numa editora tradicional?

A contar do envio: três a seis meses à espera de uma decisão e, depois, normalmente nove a dezoito meses de produção. Do manuscrito acabado ao lançamento, conta com cerca de um ano e meio a dois anos.

É possível publicar um livro de graça?

Numa editora tradicional, sim, porque é a editora que paga. Na autopublicação podes lançar um livro eletrónico quase sem custos, mas saltar a edição e a revisão de provas nota-se no texto e nas críticas dos leitores. Tratamos orçamentos realistas de autopublicação no artigo sobre os custos de publicar um livro.

Devo enviar o manuscrito a várias editoras ao mesmo tempo?

Sim, os envios simultâneos são prática corrente. Basta avisares os restantes quando uma editora ou um agente fizer uma proposta.

O que aumenta as hipóteses de um manuscrito ser aceite?

Três coisas: um texto que passou por uma autorrevisão completa, uma proposta que cumpre à risca as regras de cada destinatário e uma lista de agentes ou editoras que trabalham de facto no teu género. No meio da avalanche de propostas enviadas «mal o texto ficou escrito», o cuidado, por si só, já faz a diferença.

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